Amputação, Causas e Reabilitação

janeiro 17th, 2011 por admin Leave a reply »

amputacaoAs causas mais comuns de amputação dos membros inferiores e superiores são de ordem vascular, por tumores e traumas decorrentes de acidentes em diversas situações. Segundo o médico gaúcho tramautologista Luiz Zanete Anicet, quando acontece esse evento, “o que se busca primeiro é tratar a causa que exige aquele procedimento cirúrgico para salvar a vida do paciente”. No contexto, o mais importante é a pessoa e não o membro amputado, e nessa linha torna-se imprescindível uma abordagem global do paciente, de forma a assegurar o máximo de suas potencialidades físicas e psicológicas.

De qualquer forma, deve fica claro que os procedimentos para amputção de membros inferiores ou superiores é um ato de restauração de um órgão enfermo e não uma mutilação. Nessa conjuntura, é fundamental um trabalho integrado dos diversos tipos de profissionais envolvidos na reabilitação do paciente para estimular e valorizar a capacidade residual da pessoa atingida e assim buscar uma recuperação total.

No diagnóstico médico a amputação é considerada como um diagnóstico secundário, pois a enfermidade ou trauma recebe o rótulo de diagnóstico primário. E, posteriormente, se surgirem complicações, quanto mais cedo forem identificadas as causas, mais rápido poder ser o controle e cura; o que possibilitar um melhor desempenho do paciente na fase da reabilitação.

Causas de Amputações

Entre as causas mais comuns de amputação de órgãos inferiores e superiores encontramos: vasculopatias periféricas, traumáticas, tumorais, infecciosas, cong�nitas e iatrog�nicas. Destaca-se dentre elas, a vasculopatia periférica, que acomete em maior numero pessoas na faixa etária de mais de 50 anos; sendo os membros inferiores (dedos, pés e pernas) os mais comprometidos. A causa mais comum nas amputações provocadas por eventos vasculares e a diabetes e o tabagismo. O Dr. Anicet salienta que a amputação de parte ou totalidade do membro se da após o tratamento da doença original.

Já as causas traumáticas atingem também um numero expressivo da população por acidentes de tránsito, de trabalho ou, em numero menor, em razão de outra etiologia. Dentre os citados, os acidentes de trabalho tendem a culminar em amputações dos membros superiores (dedos, mão e braço).

Os tumores ósseos malignos como osteossarcoma também são responsáveis por amputação, especialmente de partes dos membros inferiores. Segundo o fisiatra Cezar Cavalcanti, nessa primeira fase o que deve ser tratado e o tumor para preservar a saúde do paciente e, posteriormente, através de uma equipe multidisciplinar dar todo o andamento necessário para que o paciente volte a ter uma vida normal nessa nova condição em que se encontra.

Principais Complicações nas Amputações

Entre as principais causas de complicaçães no coto estão deisc�ncia de suturas, edemas, dor fantasma, ulcera��o do coto, inflamações, infecções, retração da cicatriz, neuromas e espéculas ósseas. Esses tipos de problemas costumam afetar o coto da segunda a terceira semana após o ato cirurgico. Os problemas decorrentes de causas como neuromas, contraturas musculares e hipotrofias, entre outras, acontecem mais tardiamente; muito embora a dor possa aparecer em qualquer época, apresentando características das mais diversas.

Um aspecto comum nos portadores de amputação e o chamado fenómeno “fantasmico”, doloroso ou não, normal e ou deformado, que estar presente em 95% dos pacientes. Aproximadamente até a terceira semana após a cirurgia a maioria manifesta a percepção fantasmica de um membro normal e indolor. No entanto, alguns já se referem ao membro como deformado a partir da primeira semana. Para aqueles pacientes do primeiro grupo citado, passada as duas ou três semanas da cirurgia, o membro amputado de a impressão de estar contorcido e desproporcional e n�o deveria apresentar dor.

A percepção, por parte do paciente, de um membro fantasma doloroso pode manifestar-se em membro fantasma normal ou deformado. Essa dor pode ser de leve a moderada, toleravel, respondendo de forma satisfatória é terapéutica física ou medicamentosa. Sua duração pode ocorrer durante semanas ou anos.

A dor fantasma (perceção de sensações, geralmente dolorosas em partes do membro que foram retiradas na cirurgia) e sempre grave e intensa, as vezes resiste a diversas formas de tratamento e consegue até impedir o programa de reabilitação. O surgimento pode se dar precoce ou tardiamente é amputação com duração imprevisível.

Já a dor no coto tem localização específica, apresentando características de desprazer leve, moderado ou intenso em consequéncia de diversos tipos de complicações.

“Independente da causa”, comenta Cavalcanti, “todo o esforço deve ser feito para abolir a dor e a complicação deve ser corrigida, ou eliminada para que o processo de reabilitação do amputado se da normalmente”.

Outras complicações, especialmente nos membros inferiores, são os neuromas de amputação ou terminações de nervos no coto que formam um pequeno tumor neural que de dor ou sensação de choque ao toque.

Reabilitação do Paciente

O tratamento global e integrado do paciente determinaram o éxito de todo o trabalho reabilitacional programado. O objetivo final é capacitar o paciente ao maior aproveitamento de suas potencialidades de forma que ele possa ser independente nas atividades diárias da vida. Para isso, inclui-se o tratamento do coto (sem dor), com boa forma muscular, sem edema e, portanto, apto para receber o soquete protótico. Para o bom planejamento, o tratamento fisi�trico deve conter aspectos farmacol�gicos, físicos na fase pré, durante e ap�s a colocação da prótese, psicossocial e profissional; fundamentais para o desempenho satisfatário do programa.

A avaliação fisiátrica compreende a reabilitação e a protetizção. Sendo a reabilitação um procedimento terapéutico global que transcende os aspectos físicos, enquanto a protetização é a utilização de recursos tecnicos especiais que visam a substituição parcial de um membro. Portanto, a reabilitação pode ser considerada mais completa se for seguida da colocação de uma prótese.

São mais comuns as próteses em pacientes com membros inferiores amputados, explica Anete. Inicialmente o paciente utiliza uma prótese chamada de pil�o, com gesso, que é para adequar o coto  utilização desse recurso, tornando-o mais fino, rigido e indolor para que possa ocorrer um bom ajuste da prótese com o corpo. Além disso, o paciente deve fazer um tratamento com um fisioterapeuta para reedução da marcha (uma nova forma de andar) e apreender a usar a prótese ao caminhar. Nessa fase, é fundamental a participação do amputado por que se ele não aderir ao programa, não conseguir  caminhar.

O Dr. Luiz Anicet conta um caso de uma paciente amputada em decorréncia de um tumor que passou por todas as primeiras fases do processo de tratamento sem dificuldades perceptíveis, mas ao colocar a prótese que possibilitava a articulação do joelho para dobrar a perna decidiu, depois de um tempo de uso, fazer alterações no equipamento. Ela não quis o joelho flexível e optou por uma prótese de forma que a perna ficasse dura. “Segundo o médico é possível que a paciente não tenha sido adequadamente preparada física ou psicologicamente e sentiu-se melhor com uma prótese tipo pil�o”.

Por isso, torna-se fundamental a integração da equipe multidisciplinar no tratamento dos pacientes amputados para identificar, em tempo, qualquer sinal que possa comprometer o resultado do processo de reabilitção.

 

fonte:http://www.portaldafisioterapia.com/?pg=noticia&id=1242

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